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sexta-feira, novembro 19, 2010

Levar 5 acontece aos Melhores do Mundo - Leonor Pinhão

A última jornada foi particularmente feliz para dois avançados trintões. Nuno Gomes precisou apenas de dois minutos e meio no relvado do Estádio da Luz para marcar um golo à Naval 1º de Maio e fornecer, aos adeptos da casa, o mais do que necessário cuidado paliativo emocional depois do estrondoso insucesso no porto. E, em Vila de Conde, João Tomás marcou por duas vezes, desta feita ao Paços de Ferreira, e é hoje o segundo classificado da lista dos goleadores de 2010/2011, com 7 golos. Melhor do que João Tomás, só Hulk. Pior do que ele, os outros todos…
Ao contrário de Nuno Gomes, que cumpre este ano a sua décima primeira época na Luz, e que é hoje uma referência para o interior e para o exterior do clube, João Tomás já deixou o Benfica há dez anos.

Dele apenas restam aquelas memórias já turvas da imensamente eficaz dupla que fez com Pierre Van Hooidjonk – e que foi lamentavelmente desmantelada por questões políticas – e daqueles dois bonitos golos que marcou numa noite ao Sporting levando o Estádio da Luz au rubro e levando também o jovem e inexperiente treinador do Benfica, José Mourinho, a ajoelhar-se na relva de tão contente que ficou. Há acontecimentos assim. O golo de Nuno Gomes, no domingo, foi também um acontecimento e dos bons. Os benfiquistas, que tinham entrado no estádio ainda vagamente acabrunhados por causa daquela coisa da jornada anterior, saíram sorridentes e comovidos com a pontaria e com a comoção do seu número 21. Como seria de esperar, o golo de Nuno Gomes lançou uma polémica sobre as opções de Jorge Jesus para a frente de ataque do Benfica. A esta polémica, naturalmente, não é de todo alheio o facto de o Benfica estar a 10 pontos do FC Porto. Na época passada, Nuno Gomes marcou três golos – um deles bem importante, em Olhão – e nenhum desses feitos levou a um debate nacional sobre a injustiça com que o treinador do Benfica trata o seu avançado mais velho e com mais anos de casa.

É tão natural quanto respeitável o desejo de Nuno Gomes de jogar mais vezes de modo a que os seus golos não sejam olhados como acontecimentos mas como… golos, precisamente o que acontece com João Tomás que é utilizado com regularidade e proveito por todos os clubes em que passa. Nuno Gomes saberá melhor do que ninguém o momento em que há-de colocar um ponto final na sua carreira de futebolista. E como é uma pessoa de bom senso vai saber fazê-lo bem, a tempo e com grande categoria. E, por isso mesmo, saberá evitar certamente deixar-se transformar num caso, numa espécie de novo Mantorras, na vertente de milagreiro místico e de entertainer de ocasião para multidões ávidas de alegrias.

ESTÁ disponível no Youtube um momento muito especial para o Benfica ocorrido no último treino da selecção do Brasil antes do jogo com a Argentina, nas Arábias. É fácil chegar lá. Basta procurar David Luiz humilha Ronaldinho para vermos o nosso defesa central, que saiu psicologicamente tão maltratado do jogo com o FC Porto, recuperar a mais do que desejada auto-estima aplicando, num só toque, um requintado túnel ao grande Ronaldinho Gaúcho em boa hora regressado ao escrete. Em boa hora para o Benfica, evidentemente.
David Luiz, que o Chelsea quer levar já em Janeiro, segundo se lê nos jornais, bem precisava de um golpe de asa assim para de poder recompor emocionalmente do mau sucesso do Estádio do Dragão. É que fazer a bola passar entre as pernas do grande Ronaldiho Gaúcho, mesmo que num treino, a brincar, é um precioso alento para quem teve de ouvir tantos remoques sobre a sua prestação no último clássico do pequeno futebol português.
Ainda para mais quando Ronaldinho Gaúcho não desiste de ocupar na selecção brasileira o lugar que, lendo a imprensa e os especialistas nacionais, deveria ser entregue a Hulk, o que é incrível.

JESUALDO FERREIRA parece estar encaminhado para ser o próximo treinador do Panathinaikos da Grécia depois de não lhe ter corrido bem – ainda que tenha corrido bem depressa – a passagem pela Liga espanhola. É um grande mistério este que envolve os treinadores portugueses – e logo os melhores - que não conseguem firmar no país do lado os créditos que somaram em casa. Excepção feita a José Mourinho, obviamente. E é por isso mesmo que lhe chamam O Especial, porque é diferente dos outros todos. Mourinho, é verdade, ainda não ganhou um troféu no comando do Real Madrid mas, é a convicção planetária, há-de ganhar. Para já, ganhou a admiração de Chamartín, uma casa exigente, o respeito da imprensa, uma imprensa musculada, e o desamor dos rivais, que é exactamente o mesmo em todos os cantos do mundo.

José Mourinho foi o quinto treinador português, campeão em Portugal, a chegar a Espanha com um currículo mais avantajado do que o que tinha quando lá aterrou.
E os outros? O que se passou com os outros treinadores portugueses, todos eles campeões, que chegaram a Espanha e de lá partiram num ápice. Toni, campeão pelo Benfica, não resistiu em Sevilha muitas semanas. Jaime Pacheco, que foi campeão pelo Boavista, e António Oliveira, que foi campeão pelo FC Porto, passaram fugazmente pelo Maiorca e pelo Bétis sem nada acrescentar aos historiais dos respectivos clubes, E, por fim, Jesualdo Ferreira, três vezes campeão pelo FC Porto, não resistiu em Málaga a mais do que meia dúzia de jornadas do campeonato espanhol.
Será do clima? Do clima da Andaluzia – Sevilha e Málaga – e das ilhas Baleares – Maiorca – que é adverso aos treinadores portugueses?

Este é um mistério que ainda está longe de ser resolvido. De qualquer maneira, para os mais cépticos em relação aos talentos de José Mourinho, fica no ar aquela dúvida metódica sobre o actual treinador do Real Madrid:

-Pois…pois… mas não me convence enquanto não o vir fazer do Ayamonte FC campeão de Espanha!

PORTUGAL ganhou por 4-0 à Espanha que é a campeã do mundo. Devia ter ganho por 5-0 porque Cristiano Ronaldo marcou um golo lindo e limpo que o parvinho do árbitro entendeu anular. Quando joga a selecção e os árbitros são estrangeiros e maus, é um privilégio poder chamar-lhes parvinhos sem que ninguém por cá se ofenda. São as virtudes do internacionalismo.
Os espanhóis com um árbitro a sério tinham levado 5. Fica provado que levar 5 acontece aos melhores do mundo.

quinta-feira, maio 13, 2010

Artigo de Opinião de Leonor Pinhão - O treinador que não sabia, não via, porque «estava a olhar para o chão»

Utilizando um tom místico só ao alcance de quem tem contactos privilegiados com entidades superiores, Paciência falou na véspera do dia da decisão do título para afirmar que se o Benfica já tinha marcado «mais de cem golos» e ainda não era campeão só poderia significar que «alguma coisa estava para acontecer».

E aconteceu mesmo. No domingo o Benfica conquistou o 32.º título da sua História e na segunda-feira a Bolsa de Lisboa teve o seu máximo histórico, registando a maior valorização de sempre numa só sessão, fechando a ganhar 10,73% com o valor das empresas cotadas a subir 5,5 mil milhões de euros. Só podia ser a esta «desigualdade de orçamentos» que o treinador do Sporting de Braga se referia quando, no final do jogo com o Nacional, lamentou as coisas estranhas que levaram o Benfica ao título.

Tinha razão, pois, Domingos Paciência. Foi um campeonato com muitas coisas estranhas que começaram à entrada do túnel de Braga, à estalada, e acabaram à saída do túnel do Marquês, com fogo-de-artifício. Como ambas as ocasiões foram profusamente documentadas, e em directo, pelas estações de televisão de serviço, não há mais nada a acrescentar.

Aliás, este campeonato de 2009/2010 foi, sobretudo, uma prova marcada por imagens televisivas inesquecíveis. Golos marcados depois de a bola ter andado por fora das quatro linhas, grandes penalidades aos 97 minutos de jogo, túneis para todos os gostos… Curiosamente, quando era treinador da União de Leiria, Domingos ligava pouco ou nada a estes pormenores, dentro ou fora do relvado. Lembram-se? Nos grandes momentos, nos mais emocionantes, Domingos olhava para o chão.

Num célebre jogo com o FC Porto, Quaresma foi expulso depois de uma agressão a Tixier, jogador da União de Leiria que era, recorde-se, a equipa que Domingos treinava. Os técnicos, os dirigentes e os jogadores do FC Porto protestaram com grande veemência a expulsão de Quaresma e, no fim do jogo, uns jornalistas mal-intencionados atreveram-se a perguntar a Domingos a sua opinião sobre o lance. Pois não teve nenhuma opinião. Limitou-se a dizer:

— Não sei, não vi, estava a olhar para o chão.

É este mesmo Domingos Paciência, um modelo de atenção, contabilidade e vigilância, amante da justiça desportiva, que ainda não parou de tentar desmerecer o título merecidamente ganho pelo Benfica, expondo, por entre lágrimas, um relambório de benefícios aos novos campeões que se inicia e culmina, nas suas próprias palavras, naquele momento decisivo em Agosto, quando o Benfica ganhou em Guimarães com um golo no tempo de descontos, nascido de uma falta «que não existiu».

De facto, quando um homem levanta finalmente os olhos do chão, se o dia estiver claro, límpido, transparente, até consegue ver as ilhas Berlengas do alto da Torre dos Clérigos.

*****

Nós, benfiquistas, vimos no domingo muitas imagens de praças, rotundas, avenidas e túneis. Mas faltou-nos a imagem de um túnel especial. O túnel do estádio dr. Rui Alves, mais conhecido pela Choupana, no final do jogo entre o Nacional e o Sporting de Braga. Gostaríamos de ter visto os cumprimentos trocados entre Manuel Machado e Domingos Paciência, os treinadores que mais embirraram com o nosso Jorge Jesus ao longo do campeonato, e que acabaram a prova em maré de fel. Machado perdendo a qualificação para a Liga Europa por 2 pontos e Paciência perdendo o título para o Benfica por 5 pontos.

Muito aborrecidos deviam estar Paciência e Machado no túnel da Choupana. Enquanto isso, no centro do Funchal, os adeptos do Marítimo, que se qualificou com todo o brilho para a Liga Europa, e os adeptos do Benfica, campeões, festejavam em conjunto os dois sucessos dos seus respectivos emblemas. Mas desta festa houve imagens. E bem bonitas.

Têm toda a razão os adversários do Benfica que não se conformam com este 32.º título conquistado nos «bastidores». O Benfica, dizem eles, não jogou nada ao longo da época, marcou mais de 100 golos em posição de fora-de-jogo, o Benfica manda na Liga e, agora, para cúmulo, até manda na Selecção Nacional.

Andam por aí os teóricos, muito distraídos, a festejar o facto de o Benfica só ter um elemento seu na equipa de ases escolhida por Carlos Queiroz.

Aparentemente, Fábio Coentrão é o único benfiquista no Mundial da África do Sul.

Como andam enganados… Levantem já os olhos do chão!

Então e o Ricardo Costa, não é nosso?

Estarão, porventura, convencidos de que o Ricardo Costa que o professor Queiroz convocou é aquele rapaz defesa-central que jogou no Wolfsburg e que agora tem jogado no Lille?

Claro que não é. O Ricardo Costa da Selecção é o mesmo dr. Ricardo Costa, presidente da Comissão de Disciplina da Liga, outro grande benfiquista acusado, pelos nossos tristonhos e impolutos adversários, de ter agredido dois stewards no túnel da Luz disfarçado de Hulk e de Sapunaru.

Ele, no fundo, também joga à bola. E é por isso mesmo que vai à África do Sul.

Força Ricardo Costa! Fábio Coentrão, não estás sozinho!

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O maior derrotado da última jornada do campeonato de 2009/2010 foi o Sporting. Como assim, se o Sporting até ganhou ao Leixões, em Matosinhos, garantindo a distância de 28 pontos em relação ao Benfica?

Se há dúvidas sobre o facto de ter sido o Sporting o grande derrotado da última jornada, o melhor é colocar a questão aos sócios e adeptos do valoroso Vitória de Guimarães, emblema que, conduzido por Paulo Sérgio, ia muito bem lançado para a conquista de um lugar na segunda competição de clubes da UEFA, até ao momento em que o mesmo Paulo Sérgio foi contratado para ser o próximo treinador do Sporting.

Veio tudo por água abaixo. E não se pense que Paulo Sérgio se desconcentrou ou que prestou menor atenção ao dia-a-dia vimaranense quando soube que tinha pela frente a missão de treinar o Sporting em 2010/2011.

Nada disso. Paulo Sérgio é um treinador competente e um excelente profissional. Mas, tal como já disse José Eduardo Bettencourt, «este ano, ao Sporting, não houve nada de mau que não acontecesse». E o Vitória de Guimarães, sem ter nada a ver com isso, apanhou por tabela. Foi o efeito dominó.

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A vitória do Atlético de Madrid na Liga Europa é um motivo de satisfação para os benfiquistas. Por Simão Sabrosa, por Reyes e, também, por Quique Flores que saiu no ano passado da Luz debaixo de um tremendo aplauso apesar de não ter sido campeão.

O Atlético de Madrid deve muito este seu triunfo europeu ao facto de ter passado os primeiros cinco meses da época sem jogar rigorosamente nada, num descanso total, o que lhe permitiu reunir as forças necessárias para este sensacional final de temporada.

O Benfica, este Verão, não pode ter um arranque tão poderoso e convincente como o do ano passado. Ainda assim conseguimos ganhar o campeonato e a Taça da Liga, mas já não houve pernas para a Taça de Portugal e para a Liga Europa.

(Acrescento: Olé!)